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Poesia X Mercado
Jeanne Marie Gagnebin



(...)

Benjamin vê no capitalismo moderno a consumação dessa destruição. Não há mais sujeito soberano num mundo em que as leis de mercado regem a vida de cada um, mesmo daquele que parecia lhe escapar: o poeta. Baudelaire se apercebe de que é obrigado a vender seus poemas como se fossem uma mercadoria qualquer, mas ao mesmo tempo recusa-se a ser apenas um produtor de mercadorias. Sua grandeza consiste, de acordo com Benjamin, em haver tematizado essa transformação de todo objeto em mercadoria, inclusive da poesia, no próprio interior do poema.

(...)

Os ensaios de Benjamin sobre Baudelaire introduzem uma outra categoria essencial da modernidade, a categoria da "aura", ou melhor, da perda da aura. O poeta, que não é mais o eleito dos deuses e que deve, para sobreviver, curvar-se como qualquer outro às leis do mercado, é igual a todo mundo, e não tem mais nada de santo. Trata-se, aqui, do tema da perda da auréola, título de um pequeno texto de Baudelaire e que Benjamin cita longamente: ao atravessar a rua movimentada, e tentando evitar um carro, o poeta, num movimento brusco, deixou cair sua auréola na lama; ele não teve tempo de recolhê-la, preferindo antes viver sem ela do que ser atropelado; este acidente oferece-lhes, aliás, uma série de vantagens: ele pode agora sentar-se incógnito nos cafés mais mal-frequentados, entregar-se ao vício e à mistificação como o comum dos mortais, e até mesmo rir de um eventual mau colega que gostaria de pegar sua auréola amarrotada e suja e colocá-la sobre a cabeça.

(...)

 

 


extraído do livro: "Walter Benjamin" de Jeanne Marie Gagnebin

 

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