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Ressureições da Memória
Jeanne Marie Gagnebin
extraído do livro "Walter Benjamin"


O historiador materialista não pretende dar uma descrição do passado "tal como ele ocorreu de fato"; pretende fazer emergir as esperanças não realizadas desse passado, inscrever em nosso presente seu apelo por um futuro diferente.

(...)

A coincidência do passado com o presente não deve, para ele, liberar o indivíduo do jugo do tempo, mas operar uma espécie de condensação que permita ao presente reecontrar, reativar um aspecto perdido do passado, e retomar, por assim dizer, o fio de uma história inacabada, para tecer-lhe a continuação.

(...)

Proust e Benjamin participam, realmente, da mesma convicção de que o passado comporta elementos inacabados ; e além disso, que aguardam uma vida posterior, e que somos nós os encarregados de fazê-los reviver. Para Benjamin, essas "ressurreições da memória" aludem ao passado coletivo da humanidade e não podem depender do acaso, mas devem ser produzidas pelo trabalho do historiador materialista.

Numa situação de combate e de perigo, os dominados de hoje, podem subitamente se recordar de lutas anteriores similares, e atualizar essa experiência em sua prática.





 


Provos - Amsterdam e o nascimento da contracultura

 

Se a História é "Tempo", como declara ser, então um levante é um momento que surge acima e além do Tempo, viola a "lei" da História. Se o Estado é "História", como declara ser, então o levante é o momento proibido, uma imperdoável negação da dialética – como dançar sobre um poste e escapar por uma fresta, uma manobra xamanística realizada num "ângulo impossível" em relação ao universo.

(Hakim Bey, Zona Autônoma Temporária)

 


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