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O
historiador materialista não
pretende dar uma descrição
do passado "tal como ele
ocorreu de fato"; pretende
fazer emergir as esperanças
não realizadas desse
passado, inscrever em nosso
presente seu apelo por um futuro
diferente.
(...)
A
coincidência do passado
com o presente não deve,
para ele, liberar o indivíduo
do jugo do tempo, mas operar
uma espécie de condensação
que permita ao presente reecontrar,
reativar um aspecto perdido
do passado, e retomar, por assim
dizer, o fio de uma história
inacabada, para tecer-lhe a
continuação.
(...)
Proust
e Benjamin participam, realmente,
da mesma convicção
de que o passado comporta elementos
inacabados ; e além disso,
que aguardam uma vida posterior,
e que somos nós os encarregados
de fazê-los reviver. Para
Benjamin, essas "ressurreições
da memória" aludem
ao passado coletivo da humanidade
e não podem depender
do acaso, mas devem ser produzidas
pelo trabalho do historiador
materialista.
Numa
situação de combate
e de perigo, os dominados de
hoje, podem subitamente se recordar
de lutas anteriores similares,
e atualizar essa experiência
em sua prática.

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Se a História
é "Tempo", como declara
ser, então um levante
é um momento que surge
acima e além do Tempo,
viola a "lei" da História.
Se o Estado é "História",
como declara ser, então
o levante é o momento
proibido, uma imperdoável
negação da dialética –
como dançar sobre um poste
e escapar por uma fresta,
uma manobra xamanística
realizada num "ângulo
impossível" em relação
ao universo.
(Hakim
Bey, Zona Autônoma Temporária)
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