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O
mundo no qual penetramos pelo
nascimento é brutal,
cruel e, ao mesmo tempo, de
uma beleza divina.
Achar
que a vida tem ou não
sentido é uma questão
de temperamento. Se o não-sentido
prevalescesse de maneira absoluta,
o aspecto racional da vida desapareceria
gradualmente, com a evolução.
Não parece ser isso o
que ocorre. Como em toda questão
metafísica, as duas alternativas
são provavelmente verdadeiras:
a vida tem e não tem
sentido, ou então possui
e não possui significado.
Espero
ansiosamente que o sentido prevalesça
e ganhe a batalha.
Quando
Lao-Tsé diz: "Todos
os seres são claros,
só eu sou turvo",
exprime o que sinto em minha
idade avançada.
Lao-Tsé
é o exemplo do homem
de sabedoria superior que viu
e fez a experiência do
valor da vida e do não
valor, e que no fim da vida
deseja voltar a seu próprio
ser, no sentido eterno e incognoscível.
O
arquétipo do homem idoso
que contemplou suficientemente
a vida é eternamente
verdadeiro; em todos os níveis
da inteligência, esse
tipo aparece e é muito
semelhante, quer se trate de
um camponês ou de um grande
filósofo como Lao-Tsé.
Assim,
a idade avançada é
uma limitação,
um estreitamento. E no entanto
acrescentou em mim tantas coisas:
as plantas, os animais, as nuvens,
o dia e a noite e o eterno no
humano.
Quanto
mais se acentuou a incerteza
em relação a mim
mesmo, mais aumentou meu sentimento
de parentesco com as coisas.
É
como se essa estranheza que
há tanto tempo me separava
do mundo tivesse agora se interiorizado,
revelando uma dimensão
desconhecida e inesperada de
mim mesmo.

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