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Dentro
del tiempo hay otro tiempo
quieto
sin horas ni peso ni sombra
sin
pasado o futuro
sólo
vivo
como
el viejo del banco
unimismado
idéntico perpetuo
Nunca
lo vemos
Es
la transparencia.
Octavio
Paz
"Planos?
Tenho. Esticar minha vida o
máximo possivel - e é possivel
- desde que eu viva intensamente
os meus segundos, então tenho
urgência. Meu plano é: se eu
vou morrer, não tenho tempo
a perder. E, como sou herdeiro
de uma simpática ameba hà trilhões
de anos, tenho que dar seguimento
a isso rapidinho porque não
quero ser como a gente vê no
Fantastico, aqueles milhões
de células, milhões de espermatozóides
querendo fecundar alguma coisa;
e uns vão parando no meio do
caminho, se distraem, não prestam
atenção, se perdem e aí não
fecundam! Eu quero fecundar
alguma coisa, então tô com muita
pressa e tô prestando atenção,
porque a minha morte vai se
dar no dia em que eu fecundar
alguma coisa."
Henfil
A
palavra Kairós significa
tempo.
O tempo se mede com batidas...
Pode
ser medido com as batidas de
um relógio ou com as
batidas do coração.
Os gregos tinham duas palavras
diferentes para indicar esses
dois tempos. Ao tempo que se
mede com as batidas do relógio,
embora eles não tivessem
relógios como os nossos,
eles davam o nome de chronos.
Daí a origem da palavra
"cronômetro".
O
pêndulo do relógio
oscila numa absoluta indiferença
à vida. Com suas batidas
vai dividindo o tempo em pedaços
iguais: horas, minutos, segundos.
A cada quarto de hora soa o
mesmo corrilhão, indiferente
à vida e à morte,
ao riso e ao choro. O tempo
do relógio é indiferente
às tristezas e alegrias.
Há
entretanto o tempo que se mede
com as batidas do coração.
Ao coração falta
a precisão dos cronômetros.
Suas batidas dançam ao
ritmo da vida. Por vezes tranqüilo,
de repente se agita, tocado
pelo medo ou pelo amor. Dá
saltos. Tropeça. Trina.
Retorna à rotina. A esse
tempo de vida os gregos davam
o nome de "Kairós",
para o qual não temos
correspondente: nossa civilização
tem palavras para dizer o tempo
dos relógios: a ciência.
Mas vem perdendo as palavras
para dizer o tempo do coração.
Rubem
Alves
(...)
Alice suspirou cansada. "Acho
que você poderia aproveitar
melhor o seu tempo", disse,
"em vez de desperdiça-lo
propondo charadas que não
têm resposta."
"Se
você conhecesse o Tempo
como eu conheço",
disse o Chapeleiro, "não
falaria em desperdiça-lo,
como se fosse uma coisa.
Ele é um gentleman."
"Não
entendo o que você quer
dizer", disse Alice.
"Claro
que não entende!",
disse o Chapeleiro, atirando
a cabeça desdenhosamente
para trás. "Acho
que você nunca sequer
falou com o Tempo!"
"Talvez
não", respondeu
Alice cautelosamente, "mas
sei que tenho de bater o tempo,
quando estudo música."
"Ah!
Isso explica tudo", disse
o Chapeleiro. "Ele não
suporta ser batido. Agora, se
você mantivesse boas relações
com o Tempo, ele faria quase
tudo o que você quisesse
com o relógio.
(...)
Lewis
Carroll
(cap. VII)

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