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O
reconhecimento de que
a terra é viva,
de que a água é
viva, as pedras, o reino
vegetal, animal, de que
são vivos, são
possuidores de consciência...
vamos então apresentar
para as crianças
esses seres, e a própria
natureza em si, enquanto
nossos ancestrais.
Esses
elementos vão sendo
apresentados para as crianças
como parentes, como avós,
como anciões. E
essa apresentação
vai se dando através
de uma simples feitura
de um artesanato, onde
um símbolo representa
um determinado ser; um
simples aprendizado de
uma música, onde
um verso, uma estrofe
diz que o vento é
nosso ancestral, que o
sol é nosso avô,
que a lua é nossa
avó, que a terra
é nossa mãe.
Isso então vai
sendo introjetado naturalmente
pelos meios sensíveis
de aprendizado.
Na
tradição
Guarani tem um costume
que diz que quando uma
criança está
brincando, é deus
que está movimentando,
é deus que está
se manifestando. Então
existe uma relação
muito íntima e
muito natural dos velhos
com as crianças.
Se
reconhece nas crianças
a presença divina.
Se há uma maneira
de perceber deus é
através das crianças.
E é um princípio
que não é
só filosófico,
é um princípio
que está arraigado
na cultura. O modo de
vida também do
cotidiano vai, de alguma
maneira, preservar na
criança essa capacidade
de ser o que ela é.
Não se antecipa
as coisas, não
se antecipa os ritmos.
Não se apressa
o rio.
Se
ela vai aprender a entender
o mundo, a escrever, a
ler, ela vai aprender
no tempo dela. Não
vai ser no tempo antes
nem no tempo depois, vai
ser no tempo dela. Porque
se reconhece o tempo em
que a alma dela está
pronta para determinado
aprendizado, e assim ela
vai sendo conduzida de
acordo com a respiração
de cada ciclo.
Uma
criança indígena,
quando nasce, ela vai
conviver com vários
pais, com várias
mães, com um processo
de aprendizagem que é
vivencial, que é
interativo, que é
integrativo. Quando
uma criança nasce,
principalmente nos primeiros
anos, ela é considerada
um professor, porque na
visão indígena,
ela traz ainda fresca
a memória do mundo
espiritual.
(...)
A
cultura indígena
é vivencial. Não
é uma cultura que
passa através da
transmissão de
uma pessoa que fala e
os outros escutam. A cultura
indígena é
vivencial porque ela integra
o trabalho com o corpo,
com o movimento, com o
canto. E é através
desse conjunto que é
passada a cultura.
A
cultura indígena
não acredita em
deus - ela vive deus.
(...)
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