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Seca
tuas lágrimas
e nada temas.
A alegria perdida há de voltar
sob outra forma.
Vem
do leite da mãe
o primeiro gozo da criança;
mais tarde o prazer virá
do doce sabor do vinho.
A
alegria suprema não conhece
repouso,
passa de uma forma a outra,
num trânsito incessante
entre o céu e a terra.
Vem
do firmamento como chuva
e se infiltra na terra,
para de novo subir
como um mar de rosas.
Aparece
aqui como água,
ali como um prato de arroz;
agora é uma árvore vergada,
mais tarde, um cavalo e seu
dono.
Reside nas formas por um tempo,
logo irrompe e torna-se outra
coisa.
Assim,
também são nossos sonhos:
dorme o corpo enquanto a alma
se move.
Sonhas ser um cipreste, um mar
de tulipas,
os botões da rosa e do jasmim.
Eis que a alma retorna e tu
despertas:
foram-se os ciprestes, sumiram
as rosas ...
Não
te enganes:
tudo que agora vês
desaparecerá como um sonho.
Não
quero perturbar-te, amigo,
com minha fala arrevesada.
Talvez escutes somente a Deus,
cuja fala decerto é mais clara
que a minha.
Mas conseguirás mesmo ouví-lo
em meio a tanto palavrório?
Todos
falam do pão dourado,
mas quem conseguiu prová-lo?
Onde encontrar repouso, ó alma,
senão no amor turbulento
do coração?

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