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Passam
anos, décadas,
e permanecemos parados
no mesmo ponto. Vivemos
em cidades travadas, onde
usar a palavra trânsito
é incidir numa
contradição
em termos, afinal, tudo
que não se faz
é transitar. Repetimos
à exaustão
o mantra de sempre: por
que não se investe
em transporte coletivo?.
Periodicamente, São
Paulo bate recordes de
engarrafamento, torna-se
um dos lugares mais poluídos
do mundo, torra milhões
de reais esvaziando tanques
de combustível
sem sair do lugar. Em
diferentes escalas, essa
realidade se repete em
muitas grandes cidades
brasileiras. Um país
que cresceu movido pela
indústria automobilística
e que já teve presidente
para quem governar era
construir estradas
dificilmente superará
a visão de que
o transporte individual
é a solução.
A menos que não
tenha opção...
O
caso do transporte nas
metrópoles brasileiras
demonstra como determinados
conceitos culturalmente
arraigados afirmam-se,
contra toda racionalidade.
Afinal, como justificar
o privilégio conferido
ao automóvel em
políticas de transporte,
em que uma única
pessoa ocupa o espaço
que poderia ser ocupado
por muitas num ônibus
ou metrô? A ideologia
do sucesso individual,
que leva as pessoas a
associarem imediatamente
o status social ao carro
que possuem, se confunde
com a falta de consciência
do compartilhamento do
espaço público.
O que está em questão
é o próprio
sentido de cidadania.
Afinal, compartilhar o
rico e complexo espaço
de uma cidade requer uma
postura de respeito pela
coletividade, e isso afeta
(ou deveria afetar) as
escolhas que cada um faz
na constituição
de seus hábitos
cotidianos.
O
avesso disto, que insiste
em se reafirmar na realidade,
são essas escolhas
irracionais que, com máscara
de solução
individual, tornam-se
uma condenação
de todos à má
qualidade de vida e ao
desperdício de
recursos.
Sabemos
que é tempo de
mudar. Aliás, para
sermos precisos, é
tarde para mudar. Mas
antes tarde do que nunca.
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