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Os
extremos de padronização
do comportamento corporal
e de entorpecimento dos
impulsos instintivos que
têm caracterizado
as escolas militares,
prisões e os hospitais
psiquiátricos simplesmente
põem em relevo
formas menos óbvias
do mesmo processo, que
ocorrem em instituições
aparentemente mais benignas.
Por
exemplo, as escolas são
designadas principalmente
para treinar cidadãos
e trabalhadores dóceis.
Este objetivo é
alcançado por meio
de formas definidas de
comportamento corporal.
Crianças pequenas
e naturalmente agitadas
são obrigadas a
passar horas sentadas,
sem movimentos significativos,
nas cadeiras das salas
de aula. Só têm
o direito de falar ou
sair de onde estão
depois de passarem pelo
ritual de levantar o braço
e receberem a permissão
do professor.
(...)
Os
padrões corporais
de fadiga, desejo e excitação
são colocados em
alinhamento com os ritmos
do cotidiano da escola,
determinados externamente.
A arte e os esportes são
cuidadosamente regulados,
e os estudantes são
instruídos sobre
como devem se posicionar,
sacar e lançar
a bola. O comportamento
idiossincrático
em geral é punido,
seja fisicamente, no caso
de estudantes muito inquietos
ou agitados, seja por
meio de notas baixas,
no caso daqueles que não
se expressam "corretamente".
Muitas
criancinhas ingerem remédios
para eliminar uma hiperatividade
que pode ser muito mais
resultado da rigidez da
sala de aula do que de
desordens orgânicas
pessoais.
A
indústria é
um dos setores que mais
se beneficiam com estas
disciplinas corporais.
As escolas treinam as
pessoas para assumirem
padrões corporais
que a maioria dos empregos
exige. Os ritmos orgânicos
do corpo são ajustados
de modo a responder às
necessidades de um dia
de trabalho normal, começando
e terminando numa determinada
hora, com intervalos cuidadosamente
especificados para se
comer, ir ao banheiro
e descansar.
Tanto
para os trabalhadores
de fábricas quanto
para os dos escritórios,
o movimento do corpo ocorre
dentro de limites cuidadosamente
definidos por engenheiros
industriais para maximizar
a eficiência.
(...)
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