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Estamos entrando em um
período de grandes
mudanças. E são
sinais dos tempos ouvir
que o Fundo Monetário
Internacional quer regular
e taxar a circulação
internacional dos capitais.
Mesmo os grandes bancos
privados começam
a se dar conta, porque
vários quebraram,
que deixados à
sua sina caminham para
uma disputa alucinada
e para a própria
destruição.
Por
outro lado, avaliações
do impacto da crise nos
diferentes países
ressaltaram o importantíssimo
papel que tiveram os bancos
públicos, com uma
ação coordenada,
para enfrentar esse cenário
adverso. Países
como a Índia, que
nacionalizou seus bancos,
ou o Brasil, que tem quase
metade do seu sistema
financeiro público,
sofreram menos por disporem
desses recursos públicos
e da capacidade de gestão
para mobilizá-los
na crise.
Abre-se,
assim, um debate represado
há muitos anos,
que hoje conta com uma
maior audiência:
o do controle público
sobre o sistema financeiro
nacional e internacional
e as transações
financeiras internacionais.
Dito de outra forma, mais
abrangente: a crise abriu
a possibilidade de se
instituir novos controles
democráticos sobre
a economia.
No
auge da crise foram eles,
os principais agentes
financeiros privados,
que desenharam o pacote
de ajuda do governo estadunidense
a si próprios.
E aceitaram, pelo impacto
social enorme de suas
próprias ações,
pelos efeitos sociais
perversos da crise, pelas
questões de governabilidade,
debater um novo pacto
de regulação
do sistema financeiro,
incluindo um maior controle
sobre os paraísos
fiscais.
As
últimas estimativas
são de que, globalmente,
foram destinados mais
de US$ 13 trilhões
de recursos públicos
para salvar as grandes
corporações
privadas. Nunca havia
se visto tanta riqueza
mobilizada do dia para
a noite. Como essas grandes
corporações
foram capazes de impulsionar,
com tamanha rapidez, tantos
recursos públicos
no seu interesse privado?
John
Dewey, um dos mais proeminentes
filósofos americanos
do século XX, concluía
que a política
em nossos países
é definida, nos
bastidores, pelas grandes
corporações,
e que vai continuar sendo
assim enquanto o poder
residir nos negócios
orientados para o lucro,
através do controle
privado dos bancos, da
terra, da indústria,
reforçado pelo
comando da imprensa, dos
jornalistas e de outros
meios de publicidade e
propaganda.
O
neoliberalismo dos anos
1990 fez mais. Construiu
todo o arcabouço
legal e institucional
para que a política
não tocasse na
economia, não tocasse
nos interesses do
mercado. Políticas
como a de um Banco Central
independente são
expressão dessa
engenharia institucional.
No
Brasil, dinheiro e poder
continuam associados,
mas temos tido avanços
nas dimensões republicana
e democrática das
ações do
poder público.
Há uma ação
mais efetiva do sistema
judiciário e da
polícia federal
no combate à corrupção
na política, que
acabou por afastar governadores,
executivos e parlamentares
dos cargos, acusados de
uso privado do dinheiro
público, de captação
ilícita de recursos
para campanhas eleitorais,
de favorecimentos a empresas
em licitações
para obras e serviços
públicos. Mas,
apesar desses avanços,
não se tem notícia
da penalização
das empresas envolvidas
supostamente, os
agentes corruptores. Há
também várias
iniciativas da sociedade
civil, que vão
desde a defesa de uma
reforma política
até o projeto de
lei que impede a candidatura
de pessoas condenadas
pela Justiça, batizado
de Ficha Limpa, apresentado
ao Congresso como projeto
de lei de iniciativa popular,
respaldado por 1,5 milhão
de assinaturas.
A
abordagem mais comum para
tratar do tema dos abusos
do poder econômico
na arena da política
acaba por acusar a natureza
humana e os políticos
de maneira geral
por se deixar seduzir
pelo dinheiro. Esquecem
do que Dewey aponta como
as ações
nos bastidores,
que são constitutivas
mesmo do modo de fazer
política das grandes
corporações.
(...)

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