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desmesura
Severiano Joseh
tese de mestrado: Limites da modernidade



(...)
a expansão moderna se deu a partir do rompimento com uma visão de mundo em que todas as coisas, tanto da cultura quanto da Natureza, estavam vinculadas a uma ordem superior ou sagrada. A "experiência" moderna retira da ação social humana qualquer legitimação transcendente, construindo toda a sua ação no mundo - seja na economia, na política, na ciência - baseada em princípios materialistas e racionalizantes.

Nesse sentido, a Natureza será vista apenas como recurso a ser utilizado pelos sistemas de transformação de bens em massa (a indústria) ou como objeto (inerte) de estudo para a ciência moderna. A dissociação entre cultura e Natureza, entre o ser humano e os "deuses", entre o mundo subjetivo e o objetivo, estabelecida a partir daí, cria o que Nancy Mangabeira, resgatando os antigos gregos filósofos, chama de hybris ou desmesura.


O olhar do Xamã, do homem assentado na Tradição, enxerga, vê, e, entre um lance e outro do olhar, compreende. Teme.


Ailton Krenak nos fala (sobre o mundo ocidental urbano):

"...ali não tem música, a montanha não tem humor, o rio não tem nome. É tudo coisa. (...) Não há reverência. Não existe o sentido das coisas sagradas. Eu fiquei com medo. Eu fiquei pensando: e agora?"

 

 

"Deixem de ser modernos um único dia, e verão quanto há de eternidade em seu íntimo!"  Rilke

 


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