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(...) a
expansão moderna se deu a partir
do rompimento com uma visão
de mundo em que todas as coisas,
tanto da cultura quanto da Natureza,
estavam vinculadas a uma ordem
superior ou sagrada. A "experiência"
moderna retira da ação social
humana qualquer legitimação
transcendente, construindo toda
a sua ação no mundo - seja na
economia, na política, na ciência
- baseada em princípios materialistas
e racionalizantes.
Nesse sentido, a Natureza será
vista apenas como recurso a
ser utilizado pelos sistemas
de transformação de bens em
massa (a indústria) ou como
objeto (inerte) de estudo para
a ciência moderna. A dissociação
entre cultura e Natureza, entre
o ser humano e os "deuses",
entre o mundo subjetivo e o
objetivo, estabelecida a partir
daí, cria o que Nancy Mangabeira,
resgatando os antigos gregos
filósofos, chama de hybris ou
desmesura.
O
olhar do Xamã,
do homem assentado na Tradição,
enxerga, vê, e, entre um lance
e outro do olhar, compreende.
Teme.
Ailton
Krenak nos fala (sobre o mundo
ocidental urbano):
"...ali
não tem música, a montanha não
tem humor, o rio não tem nome.
É tudo coisa. (...) Não há reverência.
Não existe o sentido das coisas
sagradas. Eu fiquei com medo.
Eu fiquei pensando: e agora?"

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