Exterminado o conhecimento,
não haverá
mais desgostos
Entre
o sim e o não,
que grande diferença
existe?
Entre
o bem e o mal, qual
a distância?
O
que todos os homens
temem deve ser temido
- mas
que imensas e infindas
são as discussões
que se seguem!
A
multidão de homens
parece satisfeita, está
cheia de ardor, exaltada
como num festim semelhante
ao que fazem os que
escalam grandes ladeiras.
Somente
eu estou calmo, tranquilo,
meus desejos não
deram qualquer indício
de sua presença.
Sou como um recem-nascido
que ainda não
sorriu.
Pareço
abandonado, errante,
sem finalidade!
Os
outros homens possuem
o supérfluo,
só eu sou por
todos deserdado.
O
homem da multidão
julga-se iluminado,
enquanto eu na penumbra
estou mergulhado.
O
homem da multidão
julga-se infalível,
perspicaz, somente eu,
dobrado sobre mim mesmo,
sou móvel como
o oceano, sempre a flutuar.
A multidão torna-se
útil, somente
eu sou inapto, tal um
pária abandonado.
Eu,
sozinho, sou diferente
de todos os homens porque
venero profundamente
a mãe que a todos
alimenta (o
Tao).