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Recobrando a consciência
Octavio Paz
trechos dos primeiros parágrafos do livro O Labirinto da Solidão


Para todos nós, em algum momento, nossa existência se revela como alguma coisa de particular, intransferível e preciosa. Quase sempre esta revelação se situa na adolescência. A descoberta de nós mesmos se manifesta como um saber que estamos sós; entre o mundo e nós surge uma impalpável, transparente muralha: a da nossa consciência.

É verdade que, mal nascemos, sentimo-nos sós; mas as crianças e os adultos podem transcender a sua solidão e esquecer-se de si mesmos por meio da brincadeira ou do trabalho. Em compensação, o adolescente, vacilante entre a infância e a juventude, fica suspenso um instante diante da infinita riqueza do mundo.

O adolescente se assombra com o ser. E ao pasmo segue-se a reflexão: inclinado para o rio de sua consciência pergunta-se se este rosto que aflora lentamente das profundezas, deformado pela água, é o seu. A singularidade de ser - mera sensação na criança - transforma-se em problema e pergunta, em consciência inquisidora.

(...)

Aos povos em transe de crescimento ocorre alguma coisa parecida. Seu ser se manifesta como interrogação: o que somos e como realizaremos isto que somos?

(...)

Apesar da natureza quase sempre ilusória dos ensaios de psicologia nacional, parece-me reveladora a insistência com que em certos períodos os povos se voltam para si mesmos e se perguntam. Despertar para a história significa adquirir consciência da nossa singularidade, momento de repouso reflexivo antes de nos entregarmos ao fazer.

(...)

 

 

"O labirinto da solidão foi um exercício da imaginação crítica: uma visão e simultaneamente, uma versão. Algo muito diferente de um ensaio de filosofia do mexicano ou de uma busca do nosso pretendido ser. O mexicano não é uma essência mas sim uma história"...

 

"O livro forma parte dessa tentativa dos marginais para, literalmente, recobrar a consciência: voltar a ser sujeito"

 

"Uma das idéias deste livro é que há um México enterrado, porém vivo. Melhor dito: há nos mexicanos, homens e mulheres, um universo de imagens, desejos e impulsos sepultados"

Octavio Paz


"Trata-se talvez da mais importante tentativa de situar o homem latino-americano dentro da história mundial, levando-se em consideração seu universo mental e a realidade mundial"

(citação da contra-capa do livro)

 

 

 


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