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Para
todos nós, em algum
momento, nossa existência
se revela como alguma
coisa de particular, intransferível
e preciosa. Quase sempre
esta revelação
se situa na adolescência.
A descoberta de nós
mesmos se manifesta como
um saber que estamos sós;
entre o mundo e nós
surge uma impalpável,
transparente muralha:
a da nossa consciência.
É
verdade que, mal nascemos,
sentimo-nos sós;
mas as crianças
e os adultos podem transcender
a sua solidão e
esquecer-se de si mesmos
por meio da brincadeira
ou do trabalho. Em compensação,
o adolescente, vacilante
entre a infância
e a juventude, fica suspenso
um instante diante da
infinita riqueza do mundo.
O
adolescente se assombra
com o ser. E ao pasmo
segue-se a reflexão:
inclinado para o rio de
sua consciência
pergunta-se se este rosto
que aflora lentamente
das profundezas, deformado
pela água, é
o seu. A singularidade
de ser - mera sensação
na criança - transforma-se
em problema e pergunta,
em consciência inquisidora.
(...)
Aos
povos em transe de crescimento
ocorre alguma coisa parecida.
Seu ser se manifesta como
interrogação:
o que somos e como realizaremos
isto que somos?
(...)
Apesar
da natureza quase sempre
ilusória dos ensaios
de psicologia nacional,
parece-me reveladora a
insistência com
que em certos períodos
os povos se voltam para
si mesmos e se perguntam.
Despertar para a história
significa adquirir consciência
da nossa singularidade,
momento de repouso reflexivo
antes de nos entregarmos
ao fazer.
(...)
"O
labirinto da solidão
foi um exercício
da imaginação
crítica:
uma visão
e simultaneamente,
uma versão.
Algo muito diferente
de um ensaio de
filosofia do mexicano
ou de uma busca
do nosso pretendido
ser. O mexicano
não é
uma essência
mas sim uma história"...
"O
livro forma parte
dessa tentativa
dos marginais
para, literalmente,
recobrar a consciência:
voltar a ser sujeito"
"Uma
das idéias
deste livro é
que há
um México
enterrado, porém
vivo. Melhor dito:
há nos
mexicanos, homens
e mulheres, um
universo de imagens,
desejos e impulsos
sepultados"
Octavio Paz
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"Trata-se
talvez da mais
importante tentativa
de situar o homem
latino-americano
dentro da história
mundial, levando-se
em consideração
seu universo mental
e a realidade
mundial"
(citação
da contra-capa
do livro)
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