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A
Permacultura - "Permanent
Culture" ou "Cultura
Permanente" - foi criada
na Austrália, no final dos anos
70 pelo professor universitário
Bill Mollison.
A Permacultura tem como princípio
a observação das estratégias
da natureza. Ela está baseada
numa ética da terra, que traz
estímulos e soluções sociais
gerados dentro das próprias
comunidades. A sua filosofia
e práticas simples, favorecem
a reintegração do ser humano
no seu meio ambiente de formas
sustentáveis.
"Sem a permanência de
cultura, a sociedade perde a
seus vínculos com a terra".
Baseada nesta afirmação,
a Permacultura desenvolve-se
de forma inteligente, racionalizando
a organização de sítios e fazendas
ou até mesmo de cidades, levando
em consideração os aspectos
típicos de cada região. Tendo
claro as necessidades como:
moradia, água, acesso, jardim,
animais, lazer, área de produção,
reserva florestal, etc..., podemos
planejar tudo de forma integrada,
com harmonia, eficiência e ecologicamente
correta.
A Permacultura tem como objetivo,
o incremento da agricultura
orgânica para o manejo produtivo.
O cooperativismo é o caminho
natural praticado e incentivado
também pela Permacultura, não
só entre as pessoas, mas também
entre todos os elos da paisagem,
formando redes de apoio mútuo
(ecossistemas).

Refugiado das loucuras da sociedade
de consumo, Mollison percebeu
que, nem os cantos remotos do
interior australiano onde morava,
seria poupado do colapso planetário
iminente - a flora e a fauna
estavam diminuindo sensivelmente..
.
"Resolvi, - falou Mollison
na sua passagem pelo Brasil
em junho de 1992 que, se voltasse
para o mundo, voltaria com uma
coisa muito positiva".
Foi assim que nasceu a idéia
de criar sistemas de florestas
produtivas para substituir as
monoculturas de trigo e soja,
responsáveis pelo desmatamento
mundial. Observando e imitando
as formas de florestas naturais
do lugar, revelou-se possível
a criação de sistemas altamente
produtivos, estáveis e recuperadores
da ecologia local.
Depois
de dez anos implantando, com
grande sucesso, tais sistemas
em todos os continentes, Mollison
e seus colaboradores perceberam
que não adianta concentrar-se
em sistemas naturais, sem considerar
os outros sistemas, tão vitais
para a sobrevivência humana,
com os sistemas monetários,
urbanos (arquitetura e reciclagem
de lixo e águas), sociais e
de crenças, isto é, a "Permanent
Culture" ou "Cultura
Permanente".
Hoje, a Permacultura conta com
mais de 10.000 praticantes em
todos os continentes e mais
de 220 professores trabalhando
em tempo integral. A Permacultura
chegou no Brasil através do
primeiro curso dado por Bill
Mollison, em Porto Alegre.
Hoje na Bahia existe uma equipe
de profissionais - agrônomos,
engenheiros, arquitetos, etc...
- que estão se aprofundando
nestas idéias e que já fundaram
o primeiro sistema LETS de troca
de serviços da América Latina.
Esta equipe fundou em setembro
de 1992, o Instituto de Permacultura
da Bahia, que se
empenha em oferecer estas técnicas
ao maior público possível. Cogita-se,
além de cursos , formar condomínios
ecológicos auto-sustentados
na região de Salvador.
Baseada na ética de "Cuidar
da Terra, cuidar dos homens
e compartilhar os excedentes"
(quer sejam dinheiro, tempo
ou informação), a Permacultura
ousa acreditar na possibilidade
da abundância para toda a humanidade
através do uso intensivo de
todos os espaços, através da
reciclagem de todos os produtos
(diminuindo assim a poluição)
e através da cooperação entre
os homens para resolver os grandes
e perigosos problemas que hoje
assolam o planeta.
*Nélio Cunha Mello - É
biólogo e limnólogo - especialista
em água doce - associado à S.B.L.
- Sociedade Brasileira de Limnologia
e à A.S.L.O. - American Society
Limnology and Oceanograph - University
of Michigan. É Educador Ambiental
e o atual presidente da ECOSC
- Equipe de Conservacionistas
Santa Cruz - Ong Ambientalista,
fundada em 20/08/1977.
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