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"Por
que não gravar a mudança das
estações no som das folhas outonais,
ou na chegada dos pássaros na
primavera? E por que não divulgar
esses temas nas vozes de quem
melhor os compreende? Como por
exemplo, transmitir o monólogo
de um chefe indígena, na íntegra,
com seus silêncios calculados
e deliberados, que representam
uma parte tão importante de
sua eloqüência - e enfurecer
os homens brancos. Por que não
sentir a vibração de uma outra
civilização, quem sabe lendo
Os miseráveis de Victor Hugo,
sem pausas, pelo tempo que for
necessário? Ou os contadores
de estórias do mundo todo nos
trazendo as tonalidades miraculosas
do desconhecido; por exemplo,
a leitura de As mil e uma noites,
com uma seriação perfeita, fazendo
pausas, como o contador pretendia,
de madrugada, no meio de cada
episódio, para só continuar
ao pôr-do-sol do dia seguinte.
Ou a música da África, da China,
da América do Sul e da Ásia,
a música de bambus e pedras,
de grilos e cigarras, de moinhos
e quedas d'água, sem interrupção
por horas - tal como são ao
vivo".
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o texto inteiro: Rádio
Radical
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